Pular para o conteúdo principal

Every Breath You Take - A confissão de um stalker

A bela face da loucura…

Tudo bem que hoje em dia temos vários termos que antes nem sonhávamos em usar. Hoje temos bullying onde antes tínhamos apenas "mãe, um menino maior que eu está me enchendo o saco na escola". Hoje também temos stalkers onde antes tínhamos malucos com obsessão doentia. E é exatamente sobre esse último que quero falar.
Em pleno ano de 1983, Gordon Matthew Thomas Sumner, que talvez você conheça pelo nome artístico Sting, na época com seus trinta e dois anos e uma carinha de anjo, declarava seu amor obsessivo a plenos pulmões por alguma garota.
Muitos casais devem ter trocado carícias ao som de Every Breath You Take, mas se a garota prestasse um pouquinho de atenção na letra, sairia correndo e nunca mais permitiria que o cara chegasse perto…
…E nem adiantaria chamar a polícia, já que a música é justamente do grupo chamado The Police! (Ok, essa foi uma péssima piada.)

Vamos analisar


Every breath you take
Cada fôlego de você pegar
Every move you make
Cada movimento que você fizer
Every bond you break
Cada vínculo que você quebrar
Every step you take
Cada passo que você der
I’ll be watching you
Eu estarei te olhando

(Isso já é bem assustador, não acha? Mas vamos adiante…)

Every single day
Absolutamente todo dia
A Every word you say
A cada palavra que você disser
Every game you play
Cada jogo que você jogar
Every night you stay
Cada noite que você ficar
I’ll be watching you
Eu estarei te olhando

(Ele não estava feliz, precisava reforçar a ameaça com minucias de detalhes. Mas agora fica ainda pior!)

Oh can’t you see
Oh você não vê?
You belong to me
Você me pertence (!!!)
How my poor heart aches
Como meu pobre coração dói
With every step you take
Com cada passo que você dá

(Ele, como é costume de todo bom louco desvairado, ainda se faz de vítima!)

Every move you make
Cada movimento que você fizer
Every vow you break
Cada promessa que você quebrar
Every smile you fake
Cada sorriso que você fingir
Every claim you stake
Cada alegação que você arriscar
I’ll be watching you
Eu estarei te olhando

(Agora a melhor [ou pior] parte, onde ele se faz de vítima novamente jogando a culpa toda nas costas da vítima, repare só…)

Since you’ve gone I’ve been lost without a trace
Desde que você se foi eu estive perdido sem deixar rasto
I dream at night I can only see your face
Eu sonho à noite eu só posso ver seu rosto
I look around but it’s you I can’t replace
Eu olho em volta, mas é você que eu não posso substituir
I feel so cold and I long for your embrace
Eu me sito tão frio, que anseio por seu abraço
I keep crying baby, baby, please
Eu continuo chorando baby, baby, por favor
Oh can’t you see
Oh você não vê?
You belong to me
Você me pertence (!!!)
How my poor heart aches
Como meu pobre coração dói
With every step you take
Com cada passo que você dá
Every move you make
Cada movimento que você fizer
Every vow you break
Cada promessa que você quebrar
Every smile you fake
Cada sorriso que você fingir
Every claim you stake
Cada alegação que você arriscar
I’ll be watching you…
Eu estarei te olhando…

(No ápice de sua loucura, o homem fica repetindo que estará observando a pobre moça e ainda chama alguns amigos para ajudar na perseguição, eles ficam repetindo “a cada movimento que fizer, cada promessa que quebrar, etc.”. Isso deve render ainda uma formação de quadrilha para esse bando de loucos, não?)

Então, cara moça apaixonada, fique atenta com essas músicas que parecem românticas, mas que no fundo são terríveis ameaças. A carinha doce pode esconder na verdade um cara extremamente possessivo… você não quer isso, né?

E Sting, sério cara, vai procurar um tratamento para essa obsessão doentia. Isso é doença, cara!

Eu só fico me perguntando se o nome dessa pobre alma seria Roxanne.



Atenção: Essas mal traçadas linhas não pretendem retratar uma história verdadeira nem sequer indicar intenção disso ou daquilo pelo autor da música. Logo, é apenas uma interpretação distorcida que decidi colocar a público. Obrigado pela compreensão.

(Artigo originalmente publicado no Medium, em 15 de janeiro de 2016)

Postagens mais visitadas deste blog

Padre Mckenzie matou Eleanor Rigby

Paul McCartney , no ano de 1965, escreveu uma canção sobre a solidão das pessoas. Uma ode melancólica às pessoas tristes e sozinhas no mundo. Curiosamente, nesse trabalho ele só cita duas pessoas, Eleanor Rigby , que dá nome à música, e Padre Mckenzie . Uma coisa que você talvez não tenha percebido é que o Padre Mckenzie , apesar de seu título de homem santo da Igreja Católica, pode apenas ter usado essa pele de ovelha, lê-se batina, para alimentar sua fome de sangue… ou para fugir dela, o que acabou não dando muito certo. Eleanor Rigby, A Solteirona Solitária Elanor Rigby juntava o arroz jogado pelos convidados de algum casamento na igreja que frequentava. Eleanor Rigby picks up the rice in the church Eleanor Rigby, apanha o arroz na igreja Where a wedding has been Onde se passou um casamento Lives in a dream Vive num sonho Waits at the window Espera na janela Wearing a face that she keeps in a jar by the door Usando uma face que ela mantém em um jarr...

Bilhete Suicida

Cansei de tudo isso. Sei que parece egoísta, mas não aguento mais! Cansei de tantos “amigos” que nem olham na minha cara quando cruzam por mim na rua. Cansei de tantas declarações vazias e citações que não se encaixam. Cansei da hipocrisia implícita (e explícita) que me bate no peito impedindo que eu respire, me mova, ande, que eu faça alguma coisa. Cansei! Estou me despedindo desse mundo de falsidades, sorrisos amarelos e corpos embelezados no Photoshop. Cansei dessas mentiras e dessa vida casca de ovo que esconde tanta podridão por baixo, onde ninguém vê. Tchau! Muitos vão pensar “Mas e nós? Vamos sentir sua falta! Não pensa nisso?”, pois é exatamente por isso que ainda não fiz antes o que devo fazer agora. Podem me chamar de egoísta, eu não estarei aqui para me ofender. Alguns poderão, sim, sentir minha falta, mas o tempo cura tudo e vocês vão seguir suas vidas normalmente. Um dia verão as lembranças e sorrirão, mas nem isso há de abalar vossas vidas. Vocês sobreviver...

Uma Piada Sem Graça

A jovem mulher desceu do carro às pressas, segurando uma pasta com vários papéis enfiados de qualquer jeito em seu interior. Enfiou a chave no bolso e começou a andar resmungando em notável tom de sarcasmo e irritação consigo mesma “Muito bem Dra Quinzel. Muito bem! Quem mandou esquecer a revisão do carro? Quem mandou não colocar água no… no… ah! Sei lá o que vai água nessa merda!”. Uma densa fumaça escura subia da parte frontal do veículo. Ela nem pensou em abrir o capô do carro, não saberia nem por onde começar e estava atrasada. O vento frio balançava e batia com raiva os fios loiros do seu cabelo contra sua pele branca e, ao menor descuido da mulher, levou algumas folhas de papel mal colocados na pasta. — Não! — gritou ela com um misto de ira e tristeza nos olhos que marejaram. Ficou alguns segundos olhando as folhas fugindo sem rumo, dançando no ar como se fossem fadas sádicas se divertindo com sua desgraça. Então ela se virou e continuou andando a passos firmes e apr...