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Mostrando postagens com o rótulo poema

O que sobrou

Todos esses planos descartados e nossas promessas não cumpridas Tantas as lembranças doloridas Gemidos de choros abafados  Antes beijos, agora recados Tolas esperanças corroídas As folhas e petalas caídas Presentes e abraços nunca dados E de nós, o que sobrou agora? Apenas você e eu, nada mais Você distante e eu sozinho  Andando além de um “nunca mais” à sombra de um pesar mesquinho que restou do amor de outrora.

Soneto

Tua pele não é noite, mas pôr-do-sol teu olhar, grãos de café de torra leve o perfume, petricor na brisa breve teu sorriso é luz, para mim farol Na boca, lábios de arrebol seu andar a perfeição transcreve meu tesão sobre ti se atreve meu olhar te segue tal qual girassol Na face cor de manga madura desejo-te pungentemente mergulho em ti, és cachoeira chupo-te afoitamente como ao fruto da mangueira és da Vênus uma releitura

Duma vez só

Duma vez só Quando te vi Uma vez só E me apaixonei Foi duma vez, ó Te quis aqui Peito deu nó Quando te fitei Boca salivou A Terra parou Cabeça rodou Acho que é amor Acho que é amor Acho sim Acho meu amor Não ria de mim Não duvide não Isso é paixão É amor sim Não ria de mim

Causa mortis

Morri. Poderia ser poético dizer que de amor de saudades morri. Pseudoprofético Dizer que sofri Como se não sofressem todos aqui. Morri. Poderia ser belo. de uma flecha errante do Cupido pedante a atravessar meu peito singelo em paixão picante suspirando por ti Eu vi quando passou bela, cheirosa, provocante sorrindo de canto cabelos como manto balançando em desplante Nem me olhava Altiva, passava e quando, lá na esquina virava toda menina olhava de soslaio Meu coração palpitava como gato num balaio se debatia, berrava. Ansiava por ti. Morri. Poderia eu dizer morri de saudades de ti. Diz, que forma de morrer dolorosa, bela porém impiedosa. Sozinho, sem ela dama formosa que só de ver passar rejuvenesci. Mas morri. Poderia ser poético Poderia. Mas não. Foi patético. Morri de burrice. De descuido de mim. De gordura nas veias, sim. Morri de infarto. E fim.

osrevnI←

E se for o inverso Um pedaço de verso Que por alguma causa Ou razão nenhuma Se fez pela metade Ou em um terço se resuma Quatro quintos, dois oitavos O rabisco de uma ideia A estranha calma dos bravos Um ponto só no universo O rascunho da odisseia Incompleto, imerso Uma pétala caída de azaleia Caminhada sem passo Talvez um som inconstante Qualquer lâmina quebrada de aço Sem anel um brilhante Um porquê sem resposta A gosto amargo Do café sem tosta O contrário do verso Poema em prosa O avesso do inverso