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Sexo

Sob a débil luz de poucas estrelas no céu negro cheio de nuvens, sob influência de álcool e tesão, sobre folhas secas crepitantes, barulhentas, os dois corpos se entrelaçam ignorando a madrugada quente e úmida. O instinto carnal alimentado pela fúria dos hormônios, a vontade do sexo, a fome do outro embriaga ainda mais que o vinho barato engolido às pressas. O calor não encharca os lençóis, escorre pela pele, se assenta em meio às folhas e à terra dura, mas que não se faz relevante, é aquele calor que amacia a carne e saliva como em mesa farta. Fartura apenas de desejo. Os lábios, tremendo, se lambuzam com a saliva grossa, as línguas se provam nervosas como vermes se banqueteiam na carne podre. Respirações ofegantes provocam gemidos eventuais que interrompem involuntários os cantos de grilos e pássaros noturnos. Os narizes, ansiosos, dilatam-se percebendo o agridoce perfume que brota dos amantes deitados nus. Mãos apressadas percorrem ásperas a pele alheia, lixando a camada de célul...