O velho mago vinha andando na frente com sua esvoaçante capa roxa com bordas e desenhos em dourado, enquanto seus dois novos companheiros discutiam e se alfinetavam poucos metros atrás. O Sol já estava se pondo e o dia inteiro foi assim, exatamente como o anterior, e a paciência do arcanista estava se esgotando. Ele havia prometido a Mognar, um amigo muito próximo do rei, que levaria até o reino vizinho, uma poção mágica, que ele mesmo tinha feito, para curar uma sobrinha do homem que havia caído sob uma doença ou maldição misteriosa. Claro que o velho conjurador tinha em sua mente que, fazendo isso, Mognar falaria ao rei, que poderia lhe dar uma recompensa melhor que as poucas moedas que seu amigo ofereceu, e o mago recusou, para parecer ainda mais benevolente. Tudo muito bem calculado, mas ele precisava de mais gente para atravessar o Vale dos Três Dias, que tinha esse nome por levar três dias para atravessá-lo de ponta a ponta, que separava os dois reinos. Se ele fosse...
Todos esses planos descartados e nossas promessas não cumpridas Tantas as lembranças doloridas Gemidos de choros abafados Antes beijos, agora recados Tolas esperanças corroídas As folhas e petalas caídas Presentes e abraços nunca dados E de nós, o que sobrou agora? Apenas você e eu, nada mais Você distante e eu sozinho Andando além de um “nunca mais” à sombra de um pesar mesquinho que restou do amor de outrora.
Morri. Poderia ser poético dizer que de amor de saudades morri. Pseudoprofético Dizer que sofri Como se não sofressem todos aqui. Morri. Poderia ser belo. de uma flecha errante do Cupido pedante a atravessar meu peito singelo em paixão picante suspirando por ti Eu vi quando passou bela, cheirosa, provocante sorrindo de canto cabelos como manto balançando em desplante Nem me olhava Altiva, passava e quando, lá na esquina virava toda menina olhava de soslaio Meu coração palpitava como gato num balaio se debatia, berrava. Ansiava por ti. Morri. Poderia eu dizer morri de saudades de ti. Diz, que forma de morrer dolorosa, bela porém impiedosa. Sozinho, sem ela dama formosa que só de ver passar rejuvenesci. Mas morri. Poderia ser poético Poderia. Mas não. Foi patético. Morri de burrice. De descuido de mim. De gordura nas veias, sim. Morri de infarto. E fim.
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