Sete
Ela andava calmamente pela parede, me ignorava, desfilando sua beleza ao mesmo tempo redonda e esguia: seu corpo, quase completamente composto por um abdome redondo em contraste a um minúsculo cefalotórax e magras pernas compridas, quatro pares movendo-se em perfeita armonia. E foi aí que minha paz de observador se estremeceu. Algo naquela beleza natural se quebrara e eu acordei como que tomasse um jato d'água fria na cara. Olhei mais atento, cheguei mais perto. Uma, duas, três, quatro, cinco, seis, sete! Falta-lhe uma perna! Pobre animal, é imperfeito! Deve ter sofrido horrores ao perder um membro. Pobre! Pobre! Existem artigos que tentam nos convencer que insetos, aracnídeos aí incluídos, não sofrem ao que algo lhe cause dano físico, que se contorcem, tremem e parecem agonizar apenas por uma resposta instintiva à perda de um pedaço de seu corpo. Que seriam mais parecidos com plantas a animais de outras linhas... ora! Até parece que eu acreditaria numa lorota dessas! Claro que sof...